domingo, 24 de julho de 2011

Futebol e Negócio



Futebol é um grande negócio ?

Há cerca de 1 mês atrás, um artigo interessante do pesquisador Oliver Seitz, da Universidade do Futebol, levantou a bola sobre o assunto.
Em sua exposição, o pesquisador demonstra que os clubes, no mundo todo, não são lucrativos, e que para aumentar receitas precisam elevar os custos a um nível tal, que acabam tornando a atividade um negócio financeiramente inviável. Os exemplos utilizados são reais e o grande fator desequilibrador é a desproporção entre as onerosas remunerações pagas aos atletas, em relação às receitas geradas. É fato, os clubes gastam um percentual excessivo de sua receita com salários, sobrando quase nada para investimentos. É um mal, diga-se, associado muito mais ao setor público do que ao privado. Mas talvez esteja aí, a minha discordância da tese apresentada.
Clube de futebol, não é empresa e nunca será. Pode, e deve, ser gerido como tal, mas nunca ter os mesmos objetivos que uma. Uma empresa precisa antes de tudo, gerar lucros e remunerar seus acionistas. Clubes de futebol, como o próprio Oliver ressalta, precisam ganhar títulos, para satisfazer seus torcedores, aumentá-los, e para isso necessitam de ídolos, de exposição e valorização permanente de suas marcas. Mais que lucrativos, devem se manter financiáveis, pois precisam antes de tudo, manter uma relação confortável entre dívida e capacidade de gerar receitas. Mas, se os clubes reconhecidamente não são lucrativos, eu deveria concordar com o pesquisador e considerar o futebol como um negócio apenas mediano. Deveria, mas esse é outro ponto que discordo da tese. O futebol é um segmento econômico que envolve muito mais que clubes de futebol. Envolve grandes empresas de comunicação, de marketing esportivo e eventos, patrocinadores, fornecedores de equipamentos e serviços, agentes, e atletas. Quando penso em futebol, penso em todo esse enorme mercado que gera um PIB imenso, e que traz lucros igualmente imensos para grande parte desses atores. Restringir o “futebol” apenas aos clubes não é correto. Assim como insistir na visão trazida pela gestão financeira conservadora, que compara os clubes de futebol a empresas comuns, e portanto sujeitos aos mesmos tipos de “remédios” e “soluções” recomendados pelos acadêmicos de plantão. É preciso pensar o futebol e a gestão dos clubes de forma diferente, e em mudanças de paradigmas nessa área. Ok, sou um economista um tanto anarquista, mas não prego o descalabro financeiro, muito menos a irresponsabilidade contábil.
Resumindo, clube forte não é, nem nunca será lucrativo. Clube forte geralmente tem dívidas (melhor se forem moderadas, óbvio), movimenta grandes volumes financeiros, mas se mantem financiável. Se um clube é lucrativo (se existe algum), é porque está encolhendo, porque quanto mais as despesas são cortadas, mais as receitas diminuem, e seu futuro é duvidoso. Portanto, ao contrário da tese do Oliver, o futebol é sim um ótimo negócio.

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